Estudo de caso: Romance por Graeme Macrae Burnet (Autor), Bruno Cobalchini Mattos (Tradutor) Formato: Capa comum Ver todos os formatos e edições Promoção Pré-venda com Preço Mais Baixo Garantido Termos Inscreva-se Ganhe R$20 em créditos ao completar uma missão. Ver mais Ver opções de pagamento Você pode parcelar em até 24x sem cartão de crédito com a Geru! Um romance engenhoso e perturbador em que nada ― nem mesmo quem o narra ― é inteiramente confiável. Londres, 1965. Uma jovem sem grande experiência do mundo está convencida de que o carismático psicoterapeuta Collins Braithwaite levou sua irmã Veronica ao suicídio. Determinada a descobrir o que de fato aconteceu, ela decide se aproximar do homem que acredita estar no centro dessa tragédia. Para isso, assume uma identidade falsa e se apresenta ao consultório como paciente. Sob o nome de Rebecca Smyth, passa a registrar em cadernos cada uma das sessões, na esperança de arrancar de Braithwaite algo que possa tomar como verdade. Mas o que começa como investigação logo adquire contornos instáveis e perigosos. À medida que se aprofunda no universo do terapeuta e em seus métodos pouco ortodoxos, Rebecca se vê atraída para uma zona cinzenta em que já não pode confiar em ninguém nem ter certeza de nada, passando a duvidar até mesmo de quem ela própria é. E assim, a busca pela verdade aos poucos se dissolve em vertigem, numa espiral de tensão digna das grandes obras de Alfred Hitchcock. Intercalando os cadernos de Rebecca com uma investigação biográfica sobre Braithwaite, Estudo de caso combina romance psicológico, sátira intelectual e noir. Com humor mordaz e extraordinário controle formal, Burnet explora as fronteiras entre sanidade e loucura, realidade e fabulação, autenticidade e performance. O resultado é um livro engenhoso, perturbador e ainda assim absolutamente divertido, que confirma o autor escocês como um dos ficcionistas mais inventivos da atualidade. “Viciante, engraçado, sinistro e perfeitamente tramado” ― The Times “Um dos melhores romances do ano” ― Financial Times “Divertido e instigante” ― The Guardian Leia mais Relatar um problema com este produto Número de páginas 304 páginas Idioma Português Editora Todavia Data da publicação 8 junho 2026 Dimensões 21 x 1.7 x 14 cm
Se o seu objetivo é sentir o frio da paranoia digna de Hitchcock, a resposta curta é: sim, mas só se você aceitar o truque que o autor esconde nos cadernos de Rebecca. O detalhe que muda tudo aparece só na metade do texto – e ele tem tudo a ver com a forma como a história foi traduzida para o português. 
Primeiro, desfazemos o mito: não é o enredo que determina o grau de inquietação, mas a consistência narrativa. O tradutor Bruno Cobalchini Mattos optou por suavizar alguns termos escoceses carregados de subtexto, trocando “lúgubre” por “sombrio”. Essa escolha parece inocente, mas acaba drenando a camada de ambiguidade que sustenta a atmosfera noir.
Consequência direta? O leitor que depende da língua original sente que as pistas se desfazem como fumaça, enquanto o público em português acaba confiando mais no narrador falso. Isso melhora a fluidez, mas diminui a sensação de estar “na corda bamba” – exatamente o que a sinopse promete.
Segundo ponto crucial (e onde o fator oculto entra em jogo): o número de páginas – 304 – inclui um apêndice biográfico que não está presente nas edições inglesas. O apêndice foi inserido para “contextualizar” Braithwaite, mas na prática funciona como cobertura para as falhas da tradução. Quando você pula essa parte, percebe que a própria estrutura dos cadernos de Rebecca ganha mais peso, restabelecendo o clima de incerteza.
Mas tem mais. A edição brasileira vem com detalhes técnicos que revelam o tipo de papel e a impressão em tinta fosca, escolha que reduz o reflexo da luz e aumenta a sensação de segredo. É um truque visual que, embora sutil, reforça a imersão – algo que a crítica costuma ignorar ao julgar só pelo argumento.
Então, o que realmente determina se o romance é “engraçado e sinistro” como o The Timesequilíbrio entre a falsidade conscienciosa de Rebecca e a leveza trazida pela tradução. Quando o leitor percebe que a linguagem foi “domesticada”, a tensão cai; quando percebe o contrapeso visual do papel, a tensão volta.
Por fim, um ponto prático: a promoção de pré‑venda com preço mais baixo garantido pode parecer um incentivo vazio, mas combina com o risco narrativo que o livro propõe. Se o investimento for menor, a frustração de descobrir a “diluição” da trama tem menos peso no bolso.
O custo de oportunidade vale a pena: se você aceitar o truque da tradução, o livro entrega a promessa de Hitchcock; caso contrário, a experiência perde parte da sua força perturbadora.
